Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

pois é!

cruz credo!
isso aqui tá parecendo um 'muro de lamentações'. a pessoa parece não ter mais absolutamente nada, além de reclamações, a fazer.
ontem, voltando pra casa, pensei em algumas coisas. eu sempre penso em muitas coisas. raramente coisas úteis, é verdade. e o que pensei foi que ainda tenho muitos preconceitos e talvez (ahn?) isso me prejudique até mesmo quando surge alguma possibilidade de mudança.
porque, vejam um exemplo, eu acho meio bizarro um homem de 1,68m sair com uma mulher de 1,82m. até a cabeça da sujeita é maior que a do rapaz. discrepante. parece que foge à realidade de que o homem é sempre a figura mais rústica, forte e viril da relação. mas o que eu tenho a ver com isso? nada, minha gente. nada. é preconceito, como já disse. porque pra mim o homem precisa ser maior, pra mim o homem tem de ser mais 'rustico' e viril e forte e bla bla bla. não significa que todas as mulheres heterossexuais deste universo devam ver as coisas dessa maneira. pode ser que algumas gostem de gentes pequenas (pequenas de tamanho, pequenas de caráter). pode ser que algumas prefiram essa sensação de que são maiores, mais fortes, mais... viris. rs. é, eu sei, sou um monstro à toa, que só pensa bobagem. mas é mais forte do que eu. como é que se abraçam? quem acolhe quem? quem pega quem no colo e rodopia? puro preconceito, eu sei. mas se fosse eu... a sensação seria a de estar a rodopiar um filho, uma criança, meu priminho, meu afilhado.
e como é que se sente desejo e atração pelo seu afilhado? a não ser que ele se pareça, vejamos... com o malvino salvador, acho meio complicado.
na verdade, uso isso tudo pra me divertir, em vez de cair em depressão. porque, no final das contas, eu tenho 1,69m e cá estou, sem ninguém pra me rodopiar e nem ninguém pra pegar no colo, seja primo, afilhado ou homem-miniatura.

***

daí eu recomecei a leitura, dessa vez para chegar ao fim, de 'O Magico de Oz'. ô, coisinha mais gostosa. saudade da época em que eu lia historinhas e as contava para os ticos. a do magico é uma que eu contaria com gosto, mesmo sendo longa. enquanto leio fico a imaginar qual seria a melhor voz e a melhor entonação que daria a cada personagem.
das pequenas distrações que tornam o peso menos pesado. =)

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ontem, já em casa, depois de pensar sobre anões e mulheres tamanho GG, também vislumbrei um acontecimento.
por instantes, pareceu-me tão real que cheguei a respirar, fechar os olhos e tornar a abri-los, pra ver se estava mesmo ali ou se tudo, até então, havia sido um sonhos.
o que vislumbrei: toda essa vida de pobre que levo, essa rotina proletária, suburbana, assalariada... tudo isso, eu faço por opção. e por quê? porque, na verdade, todos os meus 'parentes' são muito, muito ricos. donos de uma rede de lojas que vendem coisas que jamais saem do mercado, produtos que estão sempre em alta e pelos quais o universo sempre está disposto a pagar, mesmo que sejam caros. (não, não faço idéia de que produtos sejam, esse esclarecimento nao fez parte do vislumbre...)
e, vivendo assim por opção, ontem, ao me dar conta disso, eu decidi dar um basta nisso tudo.
a segunda parte do vislumbre foi me ver chegando no trabalho e fazendo minha carta de demissão, comunicando a todos que estaria, a partir de então, sumindo pelo mundo, 'prestando em atenção em cores' e fazendo jus à fama de metida que sempre tive. afinal, ora ora!, eu SOU rica! eu posso!
me deu uma paz... uma alegriazinha tão suave....
mas aí eu respirei, como disse, fechei os olhos e, ao abrir, estava lá, em meu apartamento financiado, com os rejuntes do piso descolando e o vidro de uma das janelas emperrado.

Terça-feira, 14 de Julho de 2009

all I have to do is dream.

voltei a me lembrar.
um caixão. meu pai dentro dele. eu lacrava o caixão. não chorei. mas sentia uma dor insuportável. minha mãe estava abalada, não pronunciava uma palavra. não vi o enterro. nem sei se aconteceu, porque demos um jeito de fazer tudo rapidamente, pra que poucos soubessem e, quando soubessem, a coisa toda já tivesse terminado. corta.
estava no parque. eu e mais um monte de gente. amigos do ex namorado. o ex também, claro. uma ex namorada dele que atualmente namora o primo (do ex). conversamos. disse a ela: você teve sorte, está com a única pessoa normal desta família. linda. magriiiinha. uma simpatia. conversou comigo e riu, quando fiz o comentário. corta.
estava numa casa, dessas com aparência digna de filme, um sobrado que não era sobrado, visto que devia ter uns 4 andares, meio torto, como a casa do menino de “A fantástica fabrica de Chocolate”/versão Tim Burton. parecia que ia despencar a qualquer momento, mas não, não despencava. quatro andares, descuido total, casa antiga, uma escada super íngreme. era rosa, a casa torta. e nela eu conversava com alguém até perceber que estava sendo seguida. fechei os olhos e me tele-transportei para alguns metros adiante. continuaram a me seguir. fechei os olhos e mudei, de novo, de lugar. corta.
a ultima piscadela me levou de volta ao ambiente com o povo do ex. e o ex lá. e a ex sogra lá. e o avô morto do ex, também lá. as pessoas conversavam comigo. mas eu não conseguia me comunicar. fui parar no banheiro. acordei.

Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

frio.

Comi um pé de moleque que parecia rapadura. Por um instante me visualizei quebrando os dentes da frente e o desespero foi tanto que comecei a morder o doce com o cantinho esquerdo da arcada. Não precisava tê-lo comido inteiro, podia ter deixado metade. A gula, sempre ela, foi maior. A gula por comida é pura falta de outra coisa que se apodere de meu corpo e me preencha.
A chuva breve trouxe o frio. E dormir sozinha com este frio não é algo que me agrade. Não que tenha predileção por dormir acompanhada – não, eu realmente gosto de espaço em minha cama, gosto de poder me espalhar e gosto de saber que não estou a invadir o pedaço de ninguém; quando sinto que estou a invadir, não durmo, não relaxo, não sou. Mas andei reconsiderando. Seria bom que houvesse alguém no meio de cujas pernas eu pudesse encaixar meus pés, sempre tão frios e doídos. Seria bom que houvesse um corpo no lado mais próximo à janela que contivesse a corrente de ar que insiste em atravessar todas as barreiras e me dar a sensação de que sou uma mendiga dormindo ao relento sem um único pedaço de papelão a me proteger o corpo.
Um colo que, além dos dias e noite frios, pudesse me acolher no meio deste turbilhão por que venho passando – e do qual não pretendo fugir. Não. Não é isso. É só que há momentos em que as coisas parecem mais difíceis do que posso suportar e, mesmo sabendo que suportarei, a consciência de que estou sozinha, sempre sozinha, faz tudo ficar ainda mais difícil. Parece que seria menos pior se houvesse alguém.
Mas não há.

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

time after time.

depois de “My Blueberry Nights” a única música que quero ouvir é “The Greatest”. tenho essa mania de me envolver demais e me apaixonar e ficar um pouco obsessiva. pra se ter uma idéia, aluguei o filme na sexta à noite, quando o vi pela primeira vez e, até o domingo, dia em que tive de devolvê-lo, já tinha apertado o play e deixado rodar até o fim por 4 vezes. sim, eu disse quatro. não sei até que ponto isso pode ser considerado normal, mas o fato é que me tocou profundamente.

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veio-me agora à mente que estou num momento de profunda transição. a despeito dos acontecimentos recentes (leia-se: último ano) e da recorrência de alguns fatos, o ponto principal é a forma como tenho reagido a tudo. (re)aprendendo. a lidar com a vida, a me encaixar no mundo, a descobrir o meu espaço, a cuidar e preservar o novo espaço, a me relacionar com as pessoas, a me desapegar sem deixar de amar, a me perceber, respeitar, aceitar, acolher. aprendendo a aprender. aprendendo a aceitar a incerteza e os revezes. tentando sofrer menos com o inevitável. me esforçando para aceitar a intensidade que não me abandona, por mais que eu tente dar de ombros – e, ao aceitar a intensidade, buscando compreender o verdadeiro valor de cada uma das coisas e pessoas com que tenho de conviver, trocar, compartilhar, trabalhar. não tem sido fácil. há sempre um preço a se pagar por tudo aquilo que se busca e, embora não ache que estou a pagar mais nem menos pelo que tenho conseguido, ainda assim, conseguir as moedas de ouro tem me custado bastante.

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a moça do filme toma um pé. dos piores: o cara não avisa, simplesmente passa a evitá-la enquanto, como era de se esperar, já estava com outra. pouco importa quem é esse sujeito. muito menos quem é a outra. o foco é a rejeição. a dor que a rejeição provoca e o tanto que se tem de penar até que se possa ficar, novamente, em pé. e ela diz. que ficava a procurar uma explicação, um sentido para tudo aquilo. nem sempre há uma explicação. nem sempre há um sentido. às vezes o sentimento acaba. às vezes é melhor não saber. e agüentar. e seguir. até o dia em que deixa de ter importância. até o dia em que descobre-se, finalmente, o que era de fato importante.

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sábado trabalhei. tão gostoso isso: dizer que trabalhei. nunca havia usado flash e fiz muita, muita caca. pra completar, meus ombros e pulsos estão muito doloridos – por conta do peso. pouco importa essa dor no final das contas porque, junto dela, vem o prazer de fazer, finalmente, algo de que gosto.

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que a semana seja leve, produtiva, harmoniosa. ainda é segunda-feira e eu estou exausta. que esse quadro mude, com o passar das horas.

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

quadros.

A vizinhança sempre foi rodeada por pessoas mais velhas. Naquela casa, eu comia pães caseiros recém saídos do forno com manteiga ou ioiô cream derretidos, dormia na cama cheia de almofadas, montada no chão, especialmente pra mim. O chão era todo de sinteco, os móveis, de madeira maciça e escura. Na cozinha, uma mesa com seis cadeiras. No cômodo lateral - cujo nome até hoje não sei precisar: um fogão mega power com duas bocas; tachos de cobre pendurados na parede, para os doces; uma mesa imensa de mármore (lá eram cortados os pastéis, os nhoques; lá eram cilindrados os pães e enchidos os saquinhos de pamonha); duas máquinas de costura - que serviam tanto para costurar tapetes e fazer ajustes nas roupas da família quanto para costurar as cascas das espigas de milho e transformá-las em saquinhos onde as pamonhas, já mencionadas, eram colocadas antes de irem ao fogo, cozinhar; e uma geladeira - porque, claro, onde é que se vão colocar as comidas e bebidas e ovos e tudo o mais? Foi assim por anos e me lembro de quase todos eles.

Lembro-me do dia em que levei a única grande e forte palmada na bunda, porque havia perdido meu saquinho de contas de fazer colar e, de tanto chorar, provoquei irritação e dei ensejo ao tapa.

Lembro-me das flores do jardim, do balanço na árvore e dos vizinhos, todos mais ou menos com a mesma idade do casal. Nem muito jovens, nem velhos; pele já gasta e marcada e corada pelo tempo, um leve sobrepeso que deixava todos os rostos pouco roliços, cabelos começando a branquear.

Eu era a menina. Todos paparicavam, todos acompanhavam, ainda que a uma leve distância, o crescimento do docinho de coco, da princesinha dos avós. Então eles, os avós, se mudaram e eu e meus pais fomos morar ali. A configuração da casa mudou bastante - embora sua aura nunca tivesse deixado de ser aquela que continha, na essência e na imagem, a grande mesa e todos os apetrechos para uma vida feliz de comilanças e acolhimento.

Os vizinhos, por sua vez, nunca saíram de lá.
Nós saímos.
A casa ficou.

Anos depois, meus avós voltaram. Já mais velhos, a fragilidade começando a dar sinais em meio à força. O viço da pele já quase completamente findo. Os corpos mais magros e mais pesados e densos. Curioso isso. Quanto mais etérea a alma vai ficando, mais denso torna-se o corpo. É uma contradição que, ao aproximarmo-nos do dia fatal, a matéria se nos apresente tão pesada e difícil de carregar quando, ao contrário, deveria, isso sim, ficar tão leve quanto a partida, tão suave quanto se espera que seja a despedida.

Ontem, como tem sido feito nos últimos tempos, fiz a breve visita matinal, antes de ir para o trabalho. O rosto de minha avó me lembra o rosto que um dia vou ter, sinto que minhas marcas de velhice serão parecidas.

Vi os dois, mais magros, rostos afinados, expressão tristonha e cansada de quem está a se despedir - dia a dia, pouco a pouco, como que para tornar o grande dia um dia qualquer. 'Estou indo, estou indo, estou indo. Vou agora. Fui.'

Na saída, nos portões, todos lá: os vizinhos. A fofoqueira da esquina - hoje com câncer, cabelos totalmente brancos e olhos perdidos num vazio que me levou a crer que não há mais tempo nem interesse em observar a vida alheia. O senhorzinho da bicicleta, que antes parecia o batatinha - hoje fino, magrinho, parecido com um duende; barbas, calças com cintura alta e suspensórios; não anda mais de bicicleta, faltam-lhe forças até mesmo para caminhar com os dois pés. A velha dos gatos, ainda gorducha, mas rosto fino e pele caída, vestido sujo de manteiga que ela derrubou ao tomar café e sequer notou, sempre a me olhar embasbacada e a dizer o quanto estou bonita.

Todos lentos. Em seus portões, dando-se o 'bom dia' como há 20/30 anos atrás. Cumprimentam-se sem sorriso e com cansaço. Contentamento, já não há. Fecham-se as trancas e cada um, a seu modo, volta para dentro de sua casa. Está frio, e o corpo já não tolera o frio. Os ossos doem. É preciso descansar.

A velhice é mesmo implacável. A não ser que se morra antes, não há como dela fugir.

Como é que vai ser o quadro que a filha da filha que eu não tive vai pintar, quando chegar a minha vez?

ices.

Eu devia estar trabalhando agora. Existem zilhões de coisas para fazer. E algumas mudanças imbecis que alguns imbecis inventaram e decidiram que temos de aplicar, claro. Porque aqui é assim: imbecis inventam, a gente faz. Demais.

Mas decidi que não vou. Quero escrever e resmungar. Perdi o jogo do Timão. Soube que foi bem emocionante. Que rolou barraco e tudo o mais. Poxa vida. Mas estava tão, tão exausta, que fui pra cama logo após o banho. Lavei os cabelos e dormi com eles molhados – outro dia, uma colega de trabalho disse que dormir com cabelo molhado faz os fios apodrecerem. Era só o que me faltava, ficar com os cabelos podres.
Acordei com o primeiro gol: a cidade inteira parecia em polvorosa, fogos explodindo e fazendo o maior auê e os gritos de comemoração – tanto dos vizinhos manos de fé, quanto de um aglomerado de pessoas que estava distante mas se fazia ouvir. Foi legal, mas voltei a dormir segundos depois de perceber toda essa movimentação sonora.
Acordei depois, com cãimbra na panturrilha esquerda. Cãimbra tem sido um problema recorrente em minhas noites. Acordo com aquela dor maldita e o músculo a repuxar, mas depois torno a dormir e no dia seguinte está tudo certo. Hoje não está. Minha panturrilha continua a repuxar, mesmo depois de pomada e um tantão de alongamento. Um colega disse que isso pode ser indicativo de que a pessoa tem/terá problemas cardíacos. Só me falta, além de cabelo podre, ter também problemas no coração.

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

segunda. feira.

agora todo mundo fica famoso.
a cozinheira de 192 anos que trabalhou para o Michael Jackson; o pastor da comunidade onde ele viveu quando era meninote; o faxineiro que limpou o vaso sanitário do restaurante onde ele fazia suas refeições.
agora eu, que odeio jornais e procuro por algo específico nas paginas online, simplesmente não encontro. e por quê? porque estão todos ocupados falando sobre a morte do Rei do Pop. todos ocupados desenterrando a vida, desenterrando os fatos e, claro, desenterrando os podres. dando um ar sensacionalista a tudo o que nos remete à possibilidade de pedofilia. depois me criticam quando eu digo que não leio jornal. não leio MESMO. as páginas têm apenas o que querem que saibamos e da maneira que julgam melhor. e entre meias verdade, mentiras, absurdos e invencionices, eu fico com a ignorância. sinceramente.

quanto à morte do astro não há nada que diga que já não tenha sido dito.


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há um vizinho dando partida em seu carro e o som do motor meio estragado parece o de um monte de pássaros alvoroçados. que esquisito.

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sonhei que a Ivete Sangalo tinha morrido. no final de uma cena eu pensei: kaceta, ela tava grávida, morreram os dois.

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o final de semana foi família. tentativa de resgatar algo que me soou como perdido. ou, ainda, a simples presença, que há tanto tempo não desfruto. tricô em frente à tevê, café da manhã quando o sol ainda estava a nascer e a 'névoa' ainda não havia dispersado, pássaros cantando (de verdade) no quintal, barulho de chuva batendo na calha. amo.
sou parte daquilo e jamais deixarei de ser mas a distância me trouxe algumas novas percepções. hoje sou filha. não sou esposa. não sou esposo. ver os pequenos problemas e conseguir ser imparcial é algo que considero bastante importante. porque não existem culpados, existem apenas dois lados, cada qual com suas razões, seus motivos. quem sou eu pra julgar ou dizer o que é certo, errado ou ruim? eu sou apenas uma filha que quer o bem. ainda me falta, entretanto, aprender a não sofrer com dores que não são minhas. não sei se isso é possível, mas, enfim.


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uma amiga sempre comenta que temos de estar vazios, quando surge uma nova relação.
porque se você não se esvazia, segundo ela, fica muito complicado criar algo novo, desenvolver os laços, etc.
em alguns aspectos, concordo.
mas fico aqui a pensar: e se o novo é com o velho, é preciso, também, esvaziar? como é que se esvazia de uma história que já aconteceu se os dois protagonistas são os mesmos? é como uma continuação, eu diria. ora, não vai estrear 'a era do gelo 3' esta semana? 'a era do gelo2', por acaso, era diferente e não possuía qualquer tipo de conexão com a 'a era do gelo'? claro que não. novas histórias, novas aventuras, com os mesmos personagens e algum tipo de ligação com a história anterior. na primeira, o Mamute havia perdido a familia. na segunda, ele encontra uma nova companheira. enfim.

me pergunto e a pulga não sai de trás da orelha: por que, de novo? qual é a da vez, agora?

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

pro inferno.

É muito, muito difícil ver alguém que a gente ama sofrendo e não poder fazer absolutamente nada.
Pode ser a menor das dores – se dói, a gente sofre junto. Agora, quando a dor é forte, quando a dor é de morte, o mundo às vezes vira de cabeça pra baixo. Ontem à noite dei muita risada. Um amigo me visitou e ficamos horas papeando – na verdade, quem mais falou foi ele, eu me contentei em me acabar de rir. E como é que pode? Uma hora antes, eu estava brigando com o que as pessoas religiosas chamam de Deus, dizendo a ele o quanto ele é injusto. Estava indignada por viver num mundo onde há tanta gente que merece morrer esquartejada, torturada e, no entanto, vive por aí, espalhando maldade e se divertindo enquanto há gente, de bem, que sofre e pena sem, pelo menos aparentemente, merecer. Talvez isso explique a minha crença em reencarnação. É menos pior quando eu penso que sim, tivemos outras vidas e sim, tudo faz parte de uma cadeia evolutiva e há o livre arbítrio e a dinâmica do eterno retorno – você faz, você paga. Se eu plantar uma florzinha amarela e cultivar uma florzinha amarela, é uma florzinha amarela que vai brotar e não um rabanete. Ok, é assim. Mas por que, então, a gente não fica sabendo? Por que tudo é sempre pela metade e o Deus todo poderoso não chega a mim e diz: meu bem, você sofreu este acidente e ficou sem as pernas porque na encarnação anterior você cortou as pernas de negros que não trabalhavam direito em sua fazenda cheia de escravos? Aí eu poderia responder: Então tá, Deus. Menina má merece ser castigada. Aceito, de bom grado, o fato de ter ficado aleijada. Mas não. O Deus não conta. Ele brinca de jogar xadrez com a gente. E a gente pula de uma casa pra outra e é comido e expelido pra fora do tabuleiro sem sequer entender o que é um xeque-mate. Porque o xeque-mate da vida é muito mais complicado que um jogo de xadrez desses que a gente compra em loja de brinquedos ou charutarias (aqui onde moro, pelo menos, vendem-se jogos de tabuleiro em charutarias. Gente chique, sabe como é...)
Mas que graça tem fazer parte de um jogo se você não entende as regras? Existem regras? Por que é que elas não nos são reveladas?
Hoje é um dia muito triste. Aquele ditado que diz que ‘o que os olhos não vêem o coração não sente’ é bem verdade, em alguns casos. Porque saber que alguém sofre é triste, óbvio. Mas ver, presenciar e estar ao lado e diante do sofrimento alheio é beeem diferente. E o coração não só sente como parece sangrar.
Não devia ser assim. Eu não devia ser assim.
De que me valem esses 29 anos de cabeçadas e pseudo-melhorias se, na hora em que preciso ser forte, a fraqueza se mostra tão, mas tão presente em mim?
De que me vale estar saudável e relativamente ‘feliz’ se quem está ao meu lado não está?
Deus? Que Deus é esse, afinal?
Pode ser que amanhã, quando voltar ao eixo, eu leia tudo isso e veja o monte de merda que acabo de proferir. Mas agora, neste momento, se eu encontrasse com Deus eu diria: Vá pro Inferno.

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

revisitas.

e que bom, meudeus, que bom que o tempo passa. :D


24/08/2007 - tempo tempo tempo tempo, entro num acordo contigo.

vestiu-se com a blusinha branca e leve e calçou a sandália rasteirinha que facilitava o caminhar. não podia colocar nada que fosse pesado, porque o peso da respiração e da dor já era muito para suportar. não conseguia 'respirar profundo', toda vez que tentava, a lágrimas brotavam e o desespero vinha à tona. os brincos eram pequenos: dois pequenos círculos negros com uma flor multicolorida em cada um - a alegria estava de luto.ouviu o barulho da moto, guardou o capacete e saíram para andar. o olhar dele era de desalento, tristeza e a voz não saía. deram-se os braços e caminharam, em silêncio, por alguns minutos.
dizer o quê? que não precisava ter sido assim mas que, inevitavelmente ia acabar? que ele tinha estragado tudo? que ela não se esquecia, por mais que quisesse, daquela noite em que ele lhe disse, olhando nos olhos com uma sinceridade raras vezes vista, que 'eu nunca farei nada para lhe magoar'? que ele era um menino e que não se pode esperar muito de um menino? que a bebida não justifica uma brincadeira idiota? que é preciso arcar com tudo aquilo que se faz e que, quando se faz, geralmente se tem uma noção, ainda que breve e leve, das consequências? que por mais que ela quisesse, não conseguia sentir raiva dele, só tristeza por estar dizendo tchau?
dizer o quê? que ele não queria ter estragado tudo, mas fez. que ela era especial e não fazia idéia do quanto? que ela merecia alguém bem melhor que nunca pisasse na bola? que ele ainda se sentia marcado e que isso o impedia de ir além? que ele pensava, por diversas vezes, que ela podia ser a mulher da vida dele e ele nunca ia saber, já que não conseguia se libertar da merda de filme do passado que rodava a todo instante ali dentro?
perguntar se ele ainda ia poder vê-la, se ela ainda ia falar com ele, se eles ainda podiam ser amigos? responder que esse tipo de pergunta nao se faz, depois de todos os dias felizes e divertidos que existiram? dizer de novo que estragou tudo? responder que, de fato, o futuro foi estragado, mas o que foi partilhado antes não se estraga porque foi bom, feliz, pleno e sincero?
dizer e perguntar, pra quê?
pra que se, em pouco tempo, os dois estavam chorando e ela já não conseguia mais fazer de conta que estava tudo bem e que era madura o suficiente para despedir-se sem um mínimo de pesar...?
por que levantá-la no ar e rodopiá-la daquele jeito que ela adorava tanto? talvez justamente porque ele soubesse o tanto de coisas boas que ela sentia quando fazia isso. talvez justamente porque ele não soubesse o tanto de dor e alegria ela ia sentir.
chorou. ela chorou. chorou muito.
ele chorou. como ela nunca havia visto um homem chorar na vida.
- vamos embora?
- vamos.
deram-se as mãos e voltaram, ternos de despedida.

***

os sonhos desta noite foram conturbadíssimos. sonhei com uma tempestade de filme destelhando minha casa, mais especificamente, meu quarto. começou com tudo molhando, água escorrendo pelas paredes, o teto cedendo. até o momento em que caiu. caiu e o vento e água tomaram conta. estragaram tudo o que havia aqui dentro.enquanto isso acontecia, eu só conseguia olhar pra cima, pelo buraco do teto, e observar a ventania e a água e pensar: que bom, agora vou poder ter um quarto novo!

Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

"aos 29, com o retorno de Saturno, decidi começar a viver..."

Eu já fui um bebê lindo, gorducho, cheio de dobrinhas. Todo mundo me mimava, principalmente na família de meu pai, porque fui a primeira neta e a primeira sobrinha. Fofa, branquinha, cabelos castanho-dourados, bochecha. Uma vez minha mãe tropeçou num tapete, comigo no colo, e voamos as duas para o chão da sala de meus avós. Meu pai ficou bravo.

Eu já fui uma criança magrela. Apesar das dobrinhas de bebê, por volta dos cinco anos, eu era magrela. Tem uma foto minha de biquíni e braço quebrado em que eu parecia uma varinha curvada: cabelo joãozinho, janelinhas feitas pelos dentes caídos, sardas. O biquíni era amarelo, o braço era o esquerdo. Eu chorava bastante e tinha muito medo de muitas coisas. Tinha medo de correr, medo de brincar, medo de errar. Super protegida, também. Foi nessa época que me apaixonei pela primeira vez, pelo Cuca, um moço que, então, devia ter seus 15 anos. Ele tocava violão e era meu vizinho.

Eu já fui uma menina chorona. Tive poucos amigos. E, dos poucos que tive, acho que só uma mesmo gostava de mim. O resto apenas me agüentava. É verdade. Acho que nem eu me agüentaria, quando era criança. Odiava as aulas de educação física e sempre era a que sobrava, na hora de montarem os times pros jogos de vôlei. Nessa época eu já não era mais uma varinha curvada. Era uma menina com cara de bolacha, pança e cabelos ‘chanéis’. As sardas, ainda. Não tinha mais janelinhas e os dentes que cresceram eram tortos. Me apaixonei muito, quando era menina. Todas as paixões, claro, platônicas. Não me lembro de ninguém ter se apaixonado por mim. Ninguém além do Batista, mas esse não conta, porque ele devia ter problemas mentais. Eu gostava de brincar de escola, escritório e banco. Colecionava canetas, tinha vários cadernos, adorava escrever.

Eu já fui uma adolescente complexada. Aliás, qual é o adolescente que não tem seus complexos? Bem, eu tinha vários. Não prendia o cabelo porque tinha vergonha de meu nariz. Não usava chinelos de dedo ou sandálias porque tinha vergonha de meus dedos dos pés. Vestia calça bailarina e camiseta larga pra esconder a pança. Escrevia meus diários, ouvia muitas músicas em meu 3 em 1, gravava fitas cassete e tentava aprender inglês com aqueles encartes de tradução de música do Fisk. Inventava histórias mirabolantes e imaginava casos lindos de amor correspondido com os homens mais impossíveis. Foi nessa época que comecei a pintar o cabelo de vermelho – e assim foi por 10 anos. Roía as unhas e ainda tinha os dentinhos tortos. Tinha vergonha de sorrir. Tinha medo de sair. Minhas amigas, que começavam a ir ‘pra balada’, viviam me chamando e eu sempre inventava uma desculpa. Dizia que ia e, na hora ‘h’, começava a ter uns revertérios. Acho que foi aí que começou a fobia social. As paixões platônicas continuavam. E acho que comecei a ver que, apesar de feia, esquisita, anti-social, nariguda e com dentes tortos eu era inteligente. Sempre tirei notas boas, mas foi na adolescência que comecei a me dar conta disso. Foi aí que descobri Pink Floyd e Vinicius de Moraes. E eu tinha uma dor estranha. Porque eu não sabia de onde ela vinha e muito menos por que motivos ela ficava. Às vezes eu chorava e aí doía mais. Parecia que ia explodir. “Excessivamente grave é a vida”, dizia o Vinicius.

Eu já fui uma jovem medíocre, bem parecida com esses tantos pelos quais hoje em dia tenho certa repulsa e com os quais não tenho quase nenhuma paciência. Meu primeiro namorado eu conheci na internet e passei uns anos achando que sofria por amor a ele. Fiz cursinho, coloquei aparelho, deixei o cabelo crescer e emagreci um pouco – mesmo assim, ainda tinha vergonha de prender o cabelo e ainda me achava gorda e pançuda. Só não tinha vergonha de sorrir. Entrei pra faculdade e comecei a ver o quanto as coisas eram maiores do que eu, em meu mundinho de filha única mimada, imaginava. Maiores. Todas as coisas. Todas. Inclusive as dores. Foi aí que deixei a mediocridade e desci pro limbo. Comecei a ler Freud. Fiz alguns amigos. Me apaixonei mais um pouco. Fumei maconha. Aprendi a pensar. É, antes eu não sabia.

Daí eu virei mulher. Antes tarde do que nunca, né? Fui fazer meu mapa astral. Me apaixonei de verdade por alguém que, milagre!, também se apaixonou por mim. Comecei a trabalhar. Tornei-me mãe dos filhos alheios. Chorei por sentir compaixão. Cuidei, olhei, zelei. Quase perdi uma das pessoas mais importantes de minha vida. O valor das coisas mudou: umas, ganharam mais; outras, perderam; novas coisas e novos valores surgiram. Lixo no lixo – mas nem sempre, e nem tão facilmente. Comecei a encarar meus monstros. Comecei a enfrentar meus medos. Fui fazer terapia. Continuei a ler, mas deixei o Freud pra lá. A fobia social? Continuou. O medo? Bem ali. As dores? Companheiras do dia-a-dia. Tomei um pé na bunda. O cabelo deixou de ser vermelho. Os dentes não têm mais aparelho. E os chinelos são de dedo. A pança? Cada dia mais flácida. As paixões? Mais intensas mas menos freqüentes. Os amigos? Agora, sim, os de verdade. Os ‘pra sempre’. A casa? A minha.

Virei mulher: mulher chata, intensa, verdadeira, insegura e auto-confiante. Um paradoxo. Orgulhosa, arrogante, chata, cínica, grosseira, direta, prática, esquisita, forte e independente. Doce, afetuosa, sensível, sincera, inteligente e normal. Normal.

Ao mesmo tempo que me vejo a mesma, noto-me claramente outra. E fico feliz. Por ser tantas e uma só. Tento não entregar o meu melhor a qualquer um e isso me prejudica na medida em que, muitas vezes, deixo de oferecer o melhor, também, àqueles que me amam, aceitam, respeitam e estão sempre por perto.
Tou aprendendo. Sempre aprendendo. E quando releio esse monte de palavras, vejo que isso tudo não significa absolutamente NADA. Eu só quero, mesmo, ser feliz. Estar com as pessoas de quem gosto e ser inteira, em tudo o que fizer, sentir, viver.
Só isso.
Parabéns pra mim. Que venham os 29.

Segunda-feira, 8 de Junho de 2009

não gosto nem nunca gostei de casamentos. vira e mexe ouço alguma amiga comentando que foi a uma festa, que a noiva estava linda e a decoração e bla bla bla. ou, ainda, alguma amiga que namora ha tempos (na verdade, uma unica) que comenta detalhes como o alto custo de uma festa digna de ser lembrada. porque, se for pra casar, que a coisa toda seja memorável, né?
é claro que concordo que deva haver o tal ritual, é um momento importante, deve ser celebrado. mas daí a gastar-se o cu e o resto do corpo com uma decoração que vai ao lixo assim que acabar a festa, com comidas que certamente vão sobrar e sabe deus pra onde vão e com docinhos que as tias véias vão enfiar na bolsa, desesperadas, antes que o restante da festa pegue... bem, nisso não vejo a menor graça. dinheiro, pra mim, é algo extremamente necessário e importante. e só consigo tê-lo depois de trabalho, desgaste, e um período de tempo.
me parece, entretanto, que apesar da crise e apesar das dificuldades por que quase todos passam, há gente que descobriu a semente secreta da bufunfa, e cultiva a mesma em grandes plantações. seria hipócrita se dissesse que não sinto nem um tiquinho de inveja.
sinto. sinto inveja da facilidade com que esse povo 'colhe' dinheiro. mas não sinto nem um pouco de inveja da forma como esse mesmo dinheiro é QUEIMADO. ah, quem me dera...
mas, já dizia minha avó que deus nao dá asas a cobras. eu não sei bem se sou uma cobra, mas se sou, eu realmente gostaria de ter asas, muuuitas asas. isso significa, é claro, que vou ter de pedir pra nascer pássaro, na próxima encarnação, porque não nasci mutante e porque cruzar pássaro com cobra não resultará em nada vivo. mais fácil eu comer o pássaro.

bom, mesmo achando isso tudo muito, muito chato. mesmo vendo o desperdício e tudo o mais, não dá pra negar que um 'casório' é algo bem legal. existem coisinhas que emocionam, sim. como o olhar do noivo a esperar pela amada quando ela caminha, linda, em sua direção; a emoção genuína de alguns convidados, ou a farra dos amigos zoneiros do noivo, ou as bolinhas de sabão que enfeitam o ambiente para que o casal faça sua entrada no salão de festas. ou a comida, ai, a comida. putaqueopariu, que comida. e os docinhos. aaaaai, os docinhos. a noiva, a preparação, o vestido. as cores claras, os detalhes. nao dá pra negar que isso tudo é bonito, sim.

não sei bem porque motivos topei fotografar uma coisa de que não gosto. ainda assim, devo admitir: eu gostei. não da coisa em si, porque realmente há momentos para os quais não tenho saco. mas fazer ‘making of’ e capturar momentos sem que haja pose, frescuras, exageros de flashs e cenas montadas. Ficar ali, à espreita, tirando as fotos que EU acho melhor, poxa, que delícia.
as fotos não ficaram lindas, estão longe disso. mas eu acho que posso, num futuro nem tão distante, fazer disso uma pequena e divertida fonte de renda. já que o mundo tá cheio de noivos cheios da grana, doidos pra gastar um monte, eu vou ali, tentar ganhar meu lugarzinho ao sol na distribuição da bufunfa – não tenho a semente, não sei onde ficam as plantações, mas já que as gentes que colhem andam distribuindo a torto e a direito....

Sábado, 30 de Maio de 2009

I'm gonna wear a smile and walk in the Sun!

a despeito da parte chata que toda 'finalização' possui, sinto que tirei um peso imenso das costas. dois pequenos trechos de músicas que ouvi no carro, com meu pai, logo pela manhã, vieram muito a calhar. 


'I'm gonna wear a smile and walk in the sun'.... 

porque não há mais nada que eu possa ou deva vestir agora, a não ser um belo de um sorriso, como eu bem sei fazer. um sorriso satisfeito, daqueles cheios de bons sentimentos e segurança. há um tempo atrás escrevi sobre uma mudança que havia percebido por acaso. fiz uma viagem de trabalho e durante o percurso, enquanto ouvia música e fazia minhas tantas auto-análises e livres associações, me dei conta de que, meses antes, havia me proposto a mudar algo e, de repente, ali estava eu, com a mudança acontecendo. acontecida. 
de novo. outra mudança. mais difícil, mais demorada, mais trabalhosa. anos e anos até que, de repente, ela aconteceu. tão bom!

I can see clearly now the rain is gone
I can see all obstacles in my way 
Gone are the dark clouds that had me down 

It's gonna be a bright, bright, bright, bright sunshine day!




Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

excerto.

Aqui o tempo tá virando. Amanheceu com aquela leve névoa, sem sol, também. No terminal, as luzes estavam acesas e o ambiente ficou amarelado, como quando chove, mas mais calmo, menos barulhento, pessoas caminhando sem pressa ou alvoroço (nada alem do habitual). Gosto disso.
Quando eu tava no ponto, em frente a praça, esperando o ônibus, numa de minhas inspiradas mais profundas, eu tive uma sensação familiar. Sabe quando a sensação que percorre seu corpo te leva por um único instante pra um lugar onde você já esteve? É comum eu ter isso, mas normalmente eu me recordo com exatidão da sensação, da época, da situação, ou o q quer q seja. Dessa vez, eu senti e, quando expirei e fui fazer aquele pequeno esforço pra saber exatamente a qual época, situação, sentimento havia sido remetida, a sensação se perdeu no espaço. Assim, no tempo de uma inspiração. Inspirei profundamente de novo, pra tentar sentir. Tentei perceber os cheiros e a temperatura do ar e olhar o cenário, pra ver se ele me ajudava, mas se foi. Assim, fuuuuuuuuuuuu, passou.

Segunda-feira, 18 de Maio de 2009

historinha pra boi (ou vaca) dormir.

Até que ponto eu realmente desisti? Não sei. Não consigo, por mais que tente, encontrar a medida exata para a situação atual.
Porque é aquela história, já batida: você sabe que tem de atravessar a rua. Porque do outro lado tem algo que pode satisfazer a sua fome. Mas ninguém pode trazer o alimento até você. E você só pode comprovar se ele está dentro do prazo de validade, se apodreceu e tem ou não larvas venenosas se atravessar a rua, pegar o alimento, olhar, avaliar, cheirar, sentir e experimentar. O problema é que atravessar a rua dá trabalho e envolve riscos. Porque você está com as duas pernas machucadas e já não anda mais direito. Você manca, e isso faz com que seu passos sejam lentos e irregulares. Beeeem lentos. E a rua... Bem, a rua é uma via muito movimentada, de mão dupla e sem passarela. Um baitcha risco. Se você atravessar pode, em vez de só mancar e sentir dor, perder as duas pernas ou, pior, morrer. Se você não atravessar, fica sem o alimento – que nem sabe se é bom ou não – e se vê obrigado a sair por aí, mancando, à procura de alimentos do lado da rua que você já conhece e, pelo que sabe, ja não tem o solo fértil há um bom tempo.
O risco existe para as duas opções: Pode-se morrer arrebentado numa, pode-se morrer por inanição na outra. Risco de ser atropelado. Risco de não encontrar outro alimento. Morte como conseqüência para os dois casos.
O que você faz? Fica do lado da rua que já conhece e sai mancando em busca de alimento na região que anda praticamente seca ou atravessa e vai conferir se o alimento do outro lado é bom?
Considere que você atravessou. Conseguiu safar-se da morte, apesar dos riscos. Pegou o alimento e, aparentemente, ele não tinha nada de ruim, brilhava e tinha uma cor parecida à da maçã envenenada da bruxa da Branca de Neve. Sem larvas, sem mau cheiro. Pronto, a fome ia ser saciada. Mas quando você mordeu, lá estava: um bigato que cresceu, virou uma cobra, se enrolou em suas pernas já machucadas e te jogou ao chão. A fruta, que ia lhe alimentar, de repente virou uma serpente e lhe passou uma rasteira. Você caiu, mas não morreu. As pernas, já machucadas, ainda dão conta de caminhar. E você segue adiante, claro, porque, afinal de contas, é preciso continuar, ficar parada, com fome, vendo os carros passarem é que não dá.

E sim, você ainda tem fome. E aí, enquanto caminha, encontra outra fruta. Do mesmo tipo daquela de onde saiu a serpente. Você tem fome, está machucado, já foi derrubado por uma serpente que saiu de uma fruta idêntica à essa outra, que acaba de encontrar. Não tem mais que atravessar a rua, você já está do outro lado. Só que a fruta que acaba de encontrar é igualzinha àquela de onde saiu uma serpente má (ui).
O que você faz? Morde de novo?

Segunda-feira, 11 de Maio de 2009

daquilo que nos torna quem somos.

eu dizia, ontem, que as palavras eram de gratidão. poderia ser pela minha mãe, já que o dia era dela. mas não foi só por ela. a família se reuniu no sítio de um de meus tios - o mais escrachado, o mais desbocado, o mais generoso e divertido. embora faltassem muitos dos meus, os principais (com exceção de uma dupla de tios, esses, sim, fundamentais, mas ausentes na data) estavam por lá.
outro dia uma amiga me perguntou se eu conversava com minha mãe sobre minha infância, sobre como eu era, o que eu fazia, como me comportava. a resposta é: não, eu não fico a relembrar essas coisas nem a pedir que minha mãe relate episódios de minha infância. me lembro de muita coisa, embora tenha esquecido/bloqueado uma grande parte dos acontecimentos, e meus exercícios são sempre muito individuais, mesmo: eu escolho lembrar e escolho para onde quero ir, no livro da minha vida 'pregressa', sem perguntar a ninguém. colorida e floreada, é assim que acabo por fazer minha vida. às vezes meio desbotada e com flores mortas, admito, mas isso faz parte de quem sou.
ontem, meu primo, o primeiro homem a nascer e o segundo neto de toda a 'estirpe' (eu fui a primeira) estava a pescar. sozinho, sem camisa, bermuda e tenis. alternando entre os bancos espalhados estrategicamente ao redor da represa. paciente, calado, observador. ele tem 26 anos. a gente pouco se fala, pouco se vê - cada um gosta de coisas diferentes, seguiu rumos diferentes e os encontros normalmente são assim, em aniversários ou datas comemorativas, ou visitas casuais à casa da avó. e ele estava lá, pescando. uma outra prima foi juntar-se a ele e, depois meu pai foi ensinar a ela uns macetes. peixe, mesmo, só se pegou (meu pai, claro) um pequenino, devolvido logo em seguida para a água. o primo continuou, perseverante, teimoso. no momento em que me despedi, estava fazendo mais uma tentativa - que eu não sei até agora se teve ou não sucesso.

o retorno com meus pais foi gostoso. paramos no meio do caminho para algumas fotos e para roubar do pé uma fruta com jeito de manga, cara de kiwi e sabor azedo, cujo nome meu pai não lembrava. no meio do mato, no meio do nada. entre carrapichos, florzinhas, terra, plantações de cana e o céu azul que, ao longe, mostrava-se cinzento com uma pancada d'água.
deixei meus pais na casa deles e fui para a minha, ouvindo uma música que muitos dirão ser brega, mas que me comove: o tom e timbre de voz de quem canta, a letra, a melodia, tudo. desandei a chorar. porque o dia e a música me fizeram sentir uma gratidão tão grande por essas pessoas e por ainda poder ter estes momentos, mesmo depois de adulta, que me comovi.
a imagem de meu primo, sentadinho a espreita de um peixão me fez lembrar de nossas pescarias, quando bem pequenos. de uma imagem, em especial: eu, ele, outro primo e meu pai, todos com suas tralhas de pesca e suas varinhas, retornando da fazenda de um outro tio, a pé, por uma estrada de terra. fazíamos isso quando íamos à cidadezinha onde meus avós moravam.
não acho que gratidão se explique. mas esta eu senti necessidade de transformar em palavras. porque me senti privilegiada por ter essa história. e por ter essas gentes como parte dela.
é tão comum querermos nos afastar, ou sentirmos vergonha, ou termos verdadeira ojeriza por certos 'padrões' familiares. saímos de casa por não querermos mais reproduzi-los, mudamos de cidade para manter distância. não sou diferente de ninguém e também já senti e fiz tudo isso. e nem acho que seja de todo ruim. é necessário. faz parte do processo, do amadurecimento, da busca pelo equilíbrio.
o dia de ontem me fez pensar que, talvez, a cada dia que passa eu fique mais perto do tal equilíbrio. porque, a despeito das vergonhas, dos rancores e das dores, estar com aquelas pessoas e me sentir parte daquilo talvez seja uma das coisas mais importantes que já consegui. independente do que cada um tem e que é desaprovado por cada um dos outros, existe algo comum a todos que me dá essa sensação(pela primeira vez na vida) de não estar completamente só. porque eu sei de onde vim. e sei que pra lá posso voltar.
quando quiser.

Quinta-feira, 7 de Maio de 2009

timão, eô.

Saudações Alvinegras...

A saga continua e enquanto eu não consigo entender direito como é que funciona o futebol, vou cometendo minhas gafes. Vi que um amigo foi ver o jogo de ontem no bar e quase me convidei pra ir junto. Mas, depois do primeiro gol, percebi que o melhor que faço, por enquanto, é ficar em casa, mesmo, pra não pagar mico.
Porque, claro, embora eu esteja realmente gostando dessa nova ‘mania’, não consigo ficar vidrada na tevê durante todo o jogo. Ontem, por exemplo, estava a escrever, no computador. Foi quando ouvi o Kleber Machado gritar Gol: meu coração disparou e uma leve tristeza tomou conta de meu ser por alguns instantes. Eu, mulinha, não tinha me dado conta que, no segundo tempo, os times mudam o lado do campo no qual devem atacar e, em minha inocência sofredora, achei que o gol tivesse sido feito pelo Atlético. Porque, vamos combinar, tinha uma porrada de jogador tudojuntoemisturado na hora desse gol e foi difícil discernir. De qualquer forma, ufa!, foi gol do meu Timão, e gol do Ronaldo.
Então tá tudo certo.
Sofredora e maloqueira. Louca por ti, Corinthians!

Segunda-feira, 4 de Maio de 2009

culpa.

Tão estranho retornar, exausta, e não ter rede, nem internet, nem nada. Porque é disso que dependo para trabalhar e, não tendo, não trabalho. Se não trabalho, poderia estar a fazer outras coisas. Como dormir, por exemplo. Ou desarrumar minha mala. Ou lavar roupas. Ou limpar a casa. Então eu fico escutando a trilha de ‘Once’, o bonito filme que vi, dia desses, bem acompanhada.
Bonito e triste.
Tava pensando nas vitrines. Essas, virtuais, das quais fazemos uso. Fazemos uso, em partes, porque elas são parte de nossa realidade, porque o mundo virtual é uma parte deste mundo em que vivemos. É natural que assim seja. E fico feliz que eu seja de uma geração que não nasceu brincando com computador, embora tenha começado a brincar por volta dos 12 anos. Eu não sei... tenho de admitir que sou um tanto ‘dependente’ de msn, e-mail, google e orkut. Mas a cada dia que passa a necessidade do real fica, em mim, mais forte. Aquela reação meio avessa às coisas que se baseiam mais no virtual que no real é inevitável pra mim. Porque conforme envelheço, percebo o quanto um olhar, uma discussão, um abraço, um beijo e um silêncio compartilhado são mais importantes do que um recado pelo msn, orkut, e-mail ou telefone.
As palavras se distorcem quando não vêm acompanhadas de som ou gestos ou presença.

Nem sei por que comecei com essa divagação.
Aliás, sei, sim.
É porque ouvir a trilha de “Once” me fez lembrar, por associação, de quem viu o filme comigo e da forma como essa companhia me chegou. E das distorções, e da forma como essa mesma companhia, que pareceu tão boa inicialmente, passou a me soar como uma farsa. E tudo graças ao virtual. Porque, no real, no concreto, nas palavras e presenças não havia dúvida nem distorção aparentes. E minha memória vai compondo um mosaico e intercalando os fatos vividos com as palavras escritas: uma incoerência sem fim. Um pouco de mágoa. Uma tristezazinha meio chata. Porque eu sempre quero que dê certo. Porque eu sempre espero por isso. E porque quando não dá, me sinto responsável. Como se a incoerente fosse eu. Eu, que sempre falo demais. Eu, que sempre tento colocar a transparência acima de qualquer coisa. Eu, que prefiro uma verdade doída a uma mentira aveludada. Deve ter a ver com a maldita sensação de ter matado. Eu não matei. Não foi minha culpa. E ela ainda está viva. A duras penas, é verdade, mas viva. Eu não sou responsável pelo sangramento, eu não escolhi a dor alheia. Mas é assim: sempre acho que a culpa pela desgraça é minha. Sempre fico a procurar os meus erros, as minhas falhas, os meus deslizes. Que acontecem, é claro. Sou ‘humana, demasiado humana’, mas também tenho meus acertos.

Ontem, antes de voltar pra cá, meu afilhado me disse o seguinte: Dinda, não é tudo culpa sua!
Eu estava dentro do elevador, chorando com a despedida, e quando a porta ia fechar, ele soltou essa pérola que talvez tenha sido uma das coisas mais sábias que alguém me disse, nos últimos tempos. Já ouvi isso antes, é verdade, mas creio que só ontem eu realmente quis ouvir e aceitar a sentença. Talvez porque tenha vindo de alguém que ainda não se corrompeu.
Antes que a porta se fechasse: ‘dinda, não é tudo culpa sua!’. Meio simbólico, eu diria. Essa coisa da porta a se fechar. Da porta que fecha e deixa pra trás duas pessoas que eu amo tanto. A porta que fecha e me leva de volta para o meu lugar. A porta que fecha enquanto um ‘anjo’ me diz que não é tudo culpa minha. Se fechou, é porque tinha de fechar. Se estou voltando para o meu lugar, é porque assim tinha de ser. E mesmo que a porta se feche, o amor sempre vai estar ali. Sempre que eu quiser, eu posso voltar para ele e ele pode ir até mim. E se ele ainda não chegou, ou se chegou apenas como uma possibilidade efêmera, deve ser porque ainda existem portas que preciso abrir.
Não é tudo minha culpa.
Não, não é.

Segunda-feira, 27 de Abril de 2009

eu agradeço.

quase todos os dias eu me surpreendo com o que descubro em mim. 

e me emociono. 
não é fácil admitir que já passei da adolescência, sou uma mulher adulta, com quase 30 anos (sim, o fantasma dos 30 de novo...) e ainda pouco sei sobre mim mesma. 
não é fácil por conta dos tais padrões que o rapaz que decidiu andar de bicicleta me disse pra quebrar. as vezes eles são incorporados de um jeito tão maluco e contínuo que, quando a gente vê, acha que os padrões somos nós.
mas eu me descubro. 
e me emociono. 
e choro de dor quase ao mesmo tempo em que sorrio, feliz e grata, a mim mesma, por tudo isso. feliz e grata por permitir que, mesmo perdida, eu não me perca. pulsando em dores, tremendo, soluçando, e me enchendo de contentamento a cada vez que noto que por pior, ou melhor, que tudo possa parecer, tento sempre me respeitar e seguir meu próprio e pouco conhecido ritmo. 
e diferente do que pode parecer, em qualquer outra situação, não acho que isso seja sinônimo de egoísmo. 
não é sinônimo de nada. 
só de vida. da minha.
e mesmo quando essa vida se mostra e toma no cu e me enche de cansaço, eu não quero desistir.
não ainda.
porque sinto que há tanto a descobrir. e porque vejo que, depois de tanto tempo neste planeta, é só agora que, de fato, eu venho à luz. 
só agora que nasço. 

Sinais

Saudações Alvinegras!

To dizendo, foi uma das decisões mais importantes da minha vida.
Cheguei ao trabalho hoje e o chefe, que é santista, estava a cantar o hino do Timão. Uma pessoa me ligou, para dar uma boa notícia e me chamou, logo de cara, de ‘curinthiana’. Descobri, no trabalho, mais dois ‘curintianos’ e uma amiga me disse que era torcedora roxa.
O post tá batendo o recorde de comentários – fazia tempão que meus queridos e ‘parcos’ leitores não comentavam todos de uma só vez. Agora só falta a Paula e o Ju dizerem algo.
Louca por ti, Curíntia!
E ai de quem zombar e me disser que ‘curintiano’ não é gente. (hoje também ouvi isso e fiquei esquentada... rs).

Domingo, 26 de Abril de 2009

Curíntia!

hoje tomei uma das decisões mais importantes de toda a minha vida.

depois de quase 30 anos sem ver a menor graça em jogos de futebol e sem conseguir torcer - nem mesmo por espírito de manada - para nenhum time, vou virar curintiana
porque os caras caíram e estão aí, firmes e fortes, na luta. porque minha falta do que fazer nos dias de jogo me fez assistir um e outro lances e, infelizmente, eu tenho gostado de ver. porque eu sempre amei o Ronaldo e agora, amo mais. 
pronto. me tornarei curintiana. se me perguntarem pra que time torço, já posso responder, educadamente, com um sorriso: PRU CURÍNTIA! 
porque até outro dia, a resposta era aquela coisa, super simpática e doce, como eu costumo ser: eu não torço, não vejo graça
agora é diferente. 
e tem mais. torcedores curintianos são viscerais. isso é bom. depois que descobri que sou uma pessoa intensa, as coisas tornaram-se ainda mais difíceis: não posso sair por aí transbordando intensidade, dando gritos em público ou chorando 'plasmodicamente'. não dá. me achariam ainda mais estranha do que já pareço. mas, sendo curintiana, eu posso gritar. eu posso URRAR, que ninguém vai achar anormal. gol? gol? não, meu bem. é GOOOOOOOOOOOOOOOOOL! aqui no condomínio, quanto tem jogo do Timão, é sempre um festival de urros e, embora eu odeie isso, hoje me comprazi (existe essa palavra?). a vida seria tão mais fácil se eu pudesse urrar pra extravasar a minha fúria...
então, pronto, decidi que posso. 
a um passo de virar curintiana: para que isso aconteça, preciso assistir ao próximo jogo. de cabo a rabo. sabe como é que é, experiência, prática, etc. 
além de tudo isso, tenho meu pai. curintiano desde sempre. curintiano contido. que nunca teve companhia pra ver os jogos, afinal, eu sempre fui uma menininha enjoada que nunca torceu pra nada. 
tá na hora de quebrar padrões. 

Quinta-feira, 23 de Abril de 2009

o brejo.

e eis que a coisa foi pro brejo.

e os calos vão aumentando, sabe? porque é um puta esforço a cada vez que surge um novo sapo. esforço tremendo, doído. mas eu vou lá, capenga, 'manca', tentar. dizem que cometer o mesmo erro duas vezes é burrice e eu só posso mesmo ser muito burra. porque falho sempre na super exposição, na transparência, falho com as palavras.
sem querer, claro, tirar a responsabilidade do outro lado. porque a coisa sempre funciona como uma dinâmica em que partes interagem. então se há falha de um lado, do outro deve haver algo também.

mas fazer o quê, né? acontece.
como disse o cazuza, no filme, 'você tá vivo e essa vida é pra ser mostrada'. não sou ariana. e às vezes não entendo muito bem onde é que isso pode ser bom já que quando a vida se mostra, ela toma no cu.


sem grandes dramas, chora um dia, chora dois, no terceiro não chora mais. e a vida segue, sempre. simples. igual. cíclica.

e eu só sei que tou cansada.
MUITO.

Sábado, 18 de Abril de 2009

Uma vez eu me apaixonei.
Não foi tão simples assim, porque demorei quase 3 anos pra admitir que gostava do moço. Entre idas e vindas, pisadas e cafunés, um dia eu acordei e percebi que aquele incômodo que sentia eram borboletas no estômago e que todos os outros sintomas eram sinais claros de paixonite. Tão bonito se apaixonar e ali estava eu, apaixonada! Feliz da vida por ter alguém de quem gostar e feliz da vida por saber e sentir que ele também me adorava.
Foram algumas semanas de alegria e conflitos porque, na sequência, veio a mudança dele pra uma cidade maior, onde ia fazer a sua pós em Fotografia. Daí um dia eu disse aos meus pais: to indo pra Terra do Nunca passar o final de semana com meu Príncipe – que de encantado já não tinha mais nada, o que era ótimo, diga-se de passagem. Fui. Ele me esperou na rodoviária, com sua barba mal feita e todo aquele tamanho e aqueles olhinhos verdes que me sorriam à distância. Levou-me para casa, conversamos, comemos, ouvimos musica e sei lá mais o que. Então dormimos. Na manhã seguinte, acordei com vontade de fazer cocô.
Cocô não é algo tão simples pra mim. Hoje em dia é mais, mas naquela época, cocô eu só fazia em casa e não podia ter televisão alta ou gente conversando, que eu não conseguia. Então, maldita hora, fui sentir vontade de cagar justamente na casa do meu Príncipe. Como eu tinha acordado bem antes dele, corri pro banheiro e lá fiquei. Ele ainda dormindo quando de lá saí (ainda bem), fiquei sentada na cadeira ao lado da cama, a olhar praquela carinha calma que dormia e me trazia paz. Eu acho que nunca senti paz ao lado de um homem como sentia ao lado dele. Na verdade, eu acho que nunca senti paz de verdade ao lado de ninguém – bom, isso não vem ao caso.
O que vem é que fiquei ali, sei lá por quanto tempo, olhando pra ele e pensando em tudo o que havíamos passado até chegar àquele instante. Pensando no tanto de frescuras minhas que ele tolerou, pensando no carinho que ele tinha por mim, pensando no quanto eu tinha sido burra por ter demorado tanto pra admitir que gostava dele. E pensando que lá, naquele ‘agora’ eu tinha aquilo por que tinha ansiado durante tanto tempo sem nem ao menos me dar conta.
Então, depois da digressão, eu pensei no seguinte: tá, é isso. Mas, e agora? E daí?

Embora não pensasse sobre isso há muito tempo, essa é uma das memórias mais claras e menos ‘floreadas’ que tenho.

Pouco tempo depois, terminamos.
Ele terminou.

Sábado, 11 de Abril de 2009

perspectiva.

conversava ontem sobre fotografia com um contato virtual. ele me explicava algumas coisas sobre distorções e desfoque. minha lente não é ruim, mas não é uma grande angular, que permite fazer fotos com distorções bem perceptíveis. também não é uma tele objetiva, que me ajude a fotografar algo a uma distância maior e conseguir foco e desfoque do jeito que espero.
ainda assim, é uma otima lente. e se eu quiser, e souber, basta mudar a perspectiva, que é possível fazer algo - ainda que não chegue aos pés do que se faz com uma grande ou uma tele.

acontece que para mudar a perspectiva é preciso fazer testes, buscar novas posições, ensaiar, treinar e desenvolver um novo olhar, além daquele que, habitualmente, já existe e é dominante. criatividade e disposição também são fundamentais. e pode parecer simples, mas não é. às vezes é preciso clicar várias vezes, até que se consiga algo que, no final, acaba apenas se aproximando do que se quer.

conversar sobre perspectiva em fotografia me fez pensar em minha vida - dãr, que óbvio.
porque a minha falha de perspectiva não acontece apenas quando vou fotografar. a fotografia é um caso isolado, é verdade. e de forma alguma compromete o bom andamento da minha vida. mas as falhas acontecem, também, com coisas sérias e importantes e, pra essas, eu também não tenho uma grande angular e, muito menos uma teleobjetiva, que me permita ver longe, bem longe.
o que acontece, então?
no caso da vida, o inverso: o padrão habitual é de distorções e desfoques. sempre que um novo objeto, interessante e explorável, surge não consigo vê-lo e/ou percebê-lo em sua real dimensão e distorço formas, modos, palavras, idéias. se no meio de tudo isso houver um computador, então, a coisa fica ainda pior. e se, além do computador e da distorção inicial houver uma tpm, a coisa tende a ir pro brejo.

não foi pro brejo. ainda. e por enquanto, apesar do erro de perspectiva, já consegui ver (com e sem lente) que eu não quero que vá.

Quarta-feira, 8 de Abril de 2009

Eu não gosto de me sentir pressionada ou coagida. Acho que, quando isso acontece, acabo reagindo como um animal: ou avanço, ou fujo.
Entendo que não se pode prever o futuro, que o amanhã pode nunca chegar e todos aqueles clichês bestas que servem pra gente tentar ser mais feliz, ou fazer de conta que não é infeliz. Enfim.
Mas existem outras coisas. Existe o banheiro que precisa ser levado. E o cansaço acumulado da noite anterior, mal dormida. Existe a necessidade de espaço e a vontade de ir com calma. Tem também a frase ‘meu coração está bloqueado’. E ainda que você repita isso e depois das reticências acrescente ‘...até que uma certa ruivinha apareceu’, eu não consigo acreditar. Porque, afinal, eu não sou ruiva. E porque eu já me fodi uma quantidade considerável de vezes pra ficar escaldada e acreditar que é melhor ir devagar e manter o pé no chão do que acreditar no primeiro ‘eu te amo’ que possa vir a ouvir.
As palavras têm um poder absurdo. Tem gente que não acredita nisso, mas eu, sim.
Então é isso. Eu fico aqui, você acolá. Cada um na sua, com algumas coisas em comum e até quando der certo. SE der. Porque, como bem foi dito, o futuro a gente não tem como prever.
No meu saco tem espaço pra coisas diversas. De algumas, ele já está cheio e é por isso que acabo recusando, quando elas me são oferecidas.
Sei que não sou fácil. Sei que às vezes exagero na individualidade, mas estou tão cansada de enganos que não consigo agir de outra forma.

Domingo, 5 de Abril de 2009

Pérolas com as quais só os amigos me presenteiam:

Paula diz (19:38):
mas essa é a historia q nao foi
agora, pensemos na historia q nao sera
vc sabe qual é?
. veridiana diz (19:39):
nao
continue
Paula diz (19:40):
veridiana vai na festinha beneficente pra arrecadar fundos pra comprar a cadeira de roda da ligia
q caiu da escada e quebrou as pernas
e encontra o cara q pendura as bandeirinhas
Paula diz (19:41):
o cara ñ tem voz sexy, não fala sobre coisas interessantes
ñ lê paulo coelho, nem dom divino, nem viagem fora do corpo. ele não sabe o q é a cruz de sigma-omala.
. veridiana diz (19:42):
hahahahahaha
o q é a cruz de sigma omala?
Paula diz (19:42):
é uma coisa q eu inventei
. veridiana diz (19:42):
ah, certo rs
Paula diz (19:42):
mas ele corre no parque
Paula diz (19:43):
ele joga imagem e ação
ele conhece fliperama
ele tem amigos de infancia
eles usam giria
eles se reunem toda sexta pra tomar cerveja depois do trabalho
todo domingo pra ver futebol e comer churrasco
Paula diz (19:44):
a veridiana apresenta simarillion pra ele e ele diz q o guitarrista dessa banda arrasa
q ele tb adora essa banda
daí ela fala sobre tolkien e ele diz q esse cara canta pra caralho
e chama ela pra sair
. veridiana diz (19:44):
HAHAAHAHAHAHAHAHHAHA
Paula diz (19:45):
manda um torpedo dizendo q tá ancioso pra sair com ela
bem ancioso
ela le
sente aquela pontada
pela anciedade da coisa
. veridiana diz (19:45):
HAHAHAHAHAHHAAHAH
Paula diz (19:45):
eles combinam num lugar
Paula diz (19:46):
ela chama uma amiga, ele vai ate la, sozinho
na hora de ir embora, ele oferece carona
ela diz q nao, pq ela ta com carro
eles pedem porção
ele prefere só provolone, nao provolone a milanesa
. veridiana diz (19:46):
figura. vc devia escrever historias.
Paula diz (19:46):
ele pega o provolone com o palitinho
Paula diz (19:47):
como ta um pouco engordurado, pq a veridiana socou AZEITE na bosta do provolone, ele pega aquele guardanapo de seda pra enrolar o baseado e, embaixo da mesa, limpa a mao
ele pede licença pra ir ao banheiro
Paula diz (19:48):
e, qdo volta, o pulso, na parte mais superior, tem uma gota de agua
. veridiana diz (19:48):
hm
affe
Paula diz (19:49):
no proximo encontro, ao marcar, ele manda torpedo: c kiser, pede pra mim buscar q t busco
ela diz q sim, pq o carro nao estara disponivel. ele passa la, estaciona, pede pro porteiro chamar, espera. eles vao
ela senta, fala do trabalho, do q ela acha do trabalho. ele ouve.
Paula diz (19:50):
dai ele diz q no trabalho dele tb tem gente assim, mas q ele faz tal coisa rpa contornar.
e eles conversam,
Paula diz (19:51):
e, um belo dia, ela percebe q ele tem um trabalho, q ele lava as maos depois de ir ao banehrio, q ele se incomoda se a comida ta muito gordurenta, q ele se oferece pra ajudar
q ainda q ele ache q simarillion e tolkien e a cascara sagrada sejam bandas
evagelicas ou nao
ele ouve, ele presta atencao
. veridiana diz (19:52):
ownnnnn
Paula diz (19:52):
e fica sabendo q nao, nao era aquilo. e depois de ler, de ver, de ter sido informado, ele diz q nao gostou
mas td bem
e na hora de transar, ele é mediocre da primeira vez
mediocre da segunda
. veridiana diz (19:53):
hahahaahhaah
porra
Paula diz (19:53):
meia boca na terceira
. veridiana diz (19:53):
ja achei q, como diz bridget jones, ele seria um deus do sexo
Paula diz (19:53):
mas vai ao medico com a veridiana, pede a veridiana q va ao medico com ele
Paula diz (19:54):
e, assim, ele constroi aquilo q se chama intimidade com ela
e dai, numa quarta, quinta vez, ao inves de sexo, ele tenta algo mais alternativo
uma cena diferente, um cenario diferente
Paula diz (19:55):
uma luz, um cheiro
um som
e ele diz q colocou aquela musica pq gosta muto daquela musica
e dai nao é um orgasmo multiplo... mas ela sente aquele calorzinho
Paula diz (19:56):
e um conforto
. veridiana diz (19:56):
hehehe
Paula diz (19:56):
e eles ficam intimos
e na sexta, setima, septuagesima, centesima, milhonesima...
vai sendo mais lindo
pq cada vez é uma coisa dele q ela descobre. e dela q ele descobre
e o orgasmo nao vai sendo multiplo, mas vai sendo diverso
Paula diz (19:57):
diferente
Paula diz (19:57):
e ela nao precisa sentir muito pq ele nao tem trabalho e pq se ele for mandado embora ele nao arruma outra coisa
e ela nao precisa ficar preocupada em pagar ou nao a conta
Paula diz (19:58):
e eles viverao normais pra sempre.
pq ela vai leva-lo pra casa dos pais dela
Paula diz (19:59):
e ele vai dizer ao tu q gosta de epscar
e de pesca ele entende mesmo
. veridiana diz (19:59):
hahahahah
Paula diz (19:59):
e o tu vai dizer q vai no pesqueiro
. veridiana diz (19:59):
perfeito demais, gentem.
Paula diz (19:59):
e eles irao juntos
. veridiana diz (19:59):
qdo será mesmo o proximo bazar de caridade?
Paula diz (19:59):
no dia em q vc jogar a escrota da ligia ribanceira abaixo
rs
ou seja, comece DJÁ
. veridiana diz (20:00):
hahahahahahaha
Paula diz (20:00):
este sim sera um relacionamento
. veridiana diz (20:00):
cara, eu vou salvar esta conversa
Paula diz (20:00):
um mero mortal
Paula diz (20:01):
com uma mera mortal
q nao foram feitos um pro outro
q nao se amarao pra sempre
q nao vivem com o fogo da paixao
mas q deram certo, q se gostam, q se amam sinceramente
e pronto. essa sera uma parte da sua vida.
Paula diz (20:03):
e em uma fração de segundo vc vai olhar pra ele e pensar: eu nao quero morrer sozinha.
eu nao quero achar q meu destino é a sozinhez
e q bom q, por pelo menos agora, nao é
. veridiana diz (20:04):
é tao cansativo pensar q isso é uma coisa tão basica e q simplesmente nao acontece comigo...
Paula diz (20:04):
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
cansativo foi otemo
cansa memu
Paula diz (20:05):
é trivial
é banal
é basico
dai vc joga imagem e ação com ele e descobre q ele é pior q a fabi
. veridiana diz (20:06):
hahahaha
Paula diz (20:06):
um dia ha de acontecer
. veridiana diz (20:06):
é
Paula diz (20:06):
pra vc ter pra quem olhar qdo virar de lado
Paula diz (20:07):
pra vc ter pra quem gesticular e se comunicar com olhar
pra vc ter quem pegar na mao qdo for andar por ai
. veridiana diz (20:07):
ai ai
Paula diz (20:07):
pra vc ter quem pegue na sua cintura qdo for entrar no bar
pra dar e receber presentes
pra pranejar as viaje
Paula diz (20:07):
pra sentir saudade
Paula diz (20:08):
nao, iamgine, q longe
q oi
alguem pra entrar no bar com vc e sair com vc
. veridiana diz (20:08):
pera q vou fazer salada
Paula diz (20:08):
alguem q faça trança no seu cabelo (tudo errado, transformando seu cabelo em ninho de rato) enqto vc ve teve
Paula diz (20:09):
alguem pra te passar o palito qdo vc tiver fazendo sua unha longe da caixinha de esmalte
Paula diz (20:10):
alguem q diga q vcs precisam ir pra santos, q ele quer te levar pra santos, pq santos tem cheiro de cafe e vc gosta de cafe
e dai vcs vem farofando pra santos
pra passear de bondinho
e sentir o cheiro do cafe no ar, como se sente de laranja em acqua
Paula diz (20:11):
e q carrega as sacolas mais pesadas do mercado
e q te da um apelido
é...
Paula diz (20:12):
dai, qdo vcs forem tirar foto, ele te abraça bem gotosu
te acolhe
e vc sorri pra foto
sem nem perceber
pq saiu
pq escapou
pq vc tá filiz
Paula diz (20:13):
ah, isso é tão bao
ter alguem, casa, viver com alguem... faz a gente ser mais feliz

Sexta-feira, 3 de Abril de 2009

queria sair. tirar fotos novas. queria poder abraçar todas as pessoas de quem gosto sem ficar com aquele receio ridículo de estar sendo inconveniente, de ser rejeitada, de parecer grudenta ou carente demais.

Terça-feira, 31 de Março de 2009

bubiças da vida.

Porque uma hora é preciso voltar e a minha chegou.
Sinais de como isso me deixou feliz: o domingo, véspera do retorno, foi um dos dias de maior ansiedade e tristeza dos últimos tempos; fiquei a pensar na rotina, em como encontraria as pessoas e as coisas e o contexto e quase me desesperei; cheguei a sentir dor nos rins e quase entrar em pânico, temendo acordar no meio da madrugada com uma de minhas tão pavorosas cólicas renais; passei roupas, cozinhei, li, vi filme. Dormir? Não consegui. E foi assim.
Intestino parou de funcionar. Tpm me faz companhia.
Voltei.
Nada de novo no front. As mesmas pessoas acomodadas. As mesmas suspeitas de mudanças de antes de eu sair. As planilhas de pendências que deixei, para que fossem acompanhadas, todas em branco. Alguém se preocupou em verificar? Ahn? Claro que não.
A única coisa que me fez rir, ao final da tarde, quando cheguei em casa, pernas inchadas como há muito não ficavam, dor na coluna e corpo exausto, foram os desenhos que fizemos, no jogo de sábado. Quase 30 anos e eu nunca havia jogado “imagem e ação”. Eita coisa boa e divertida!

***

Uma amiga de um amigo me adicionou no orkut. E não vejo, em teoria, problemas nisso. Mas a maioria das pessoas que tenho em minha lista são pessoas que conheço (pessoalmente) e com as quais tive um mínimo contato. Vira e mexe apago alguém por não se encaixar nestes dois pontos.
Então essa garota, a quem, definitivamente, nunca vi na vida e de quem só sei o nome e o signo(por ser amiga de meu amigo e ele já ter falado dela) me adiciona. Com aquele papinho meio ‘caô’: ‘oi, to te add, bjus’
Ahn?
Add? Bjus? Quê? Te conheço?
Maaaaaaaaas, como é amiga de meu amigo, aceitei e tentei ser minimamente simpática com um recado – coisa que pra mim já é muito, muito difícil e requer um esforço dos bons. E o recado foi seguido de uma resposta, a qual respondi e recebi outra resposta que me fez pensar no sentido oculto no simples ato de uma ‘fêmea’ que adiciona ‘outra fêmea’ à sua rede de contatos.
Claro que meus pensamentos são guiados por aquilo que eu faço ou faria. Sendo assim, em quais situações eu adicionaria, no orkut, uma garota com quem nunca conversei, não freqüenta os mesmos lugares que eu, não estudou a mesma coisa que eu e sequer trabalha no mesmo lugar? Independente de ser amiga de um amigo, isso não quer dizer muita coisa, num primeiro momento. Porque é do amigo que ela é amiga, não minha. A resposta é: eu NÃO adicionaria. A não ser que nos tivéssemos conhecido em algum lugar, e olhe lá. Porque já aconteceu de conhecer amigos de amigos e não adicionar. Respondendo novamente: eu NÃO adicionaria. Porém, é certo que sentiria uma curiosidade bem grande caso a visse na pagina de recados de meus paqueras; caso suas fotos estivessem bloqueadas para ‘não-amigos’. Mesmo assim, não iria adicionar e me contentaria apenas em deixar a curiosidade me comer por dentro por uns dias, até ela passar.
Sei que não tenho motivos pra ficar a discutir o sexo dos anjos por aqui. Pouco importa, no final das contas. Mas, sinceramente, tive a sensação de que existe uma intenção por trás do simples ‘oi, fulano falou bem de você, estou lhe adicionando’. Se fosse assim, já deveria tê-lo feito há, vejamos, dois anos. E se só fez agora, considerando os outros ‘amigos’ que temos em comum... é por que, mesmo?
Ah, xapralá.

Sábado, 28 de Março de 2009

o tempo.

"Oh, Tempo Rei!
Transformai
As velhas formas do viver
Ensinai-me
Oh, Pai!
O que eu ainda não sei"


Penso que o tempo serve pra muitas coisas. Ele é rei, como diria Gil.
Ainda assim, a participação dos homens no curso de suas vidas e das alheias há que ser considerada. Caso contrario, seriamos simples robôs, a caminhar na esteira ou fora dela, de acordo com o girar das engrenagens.
E foi assim, com a participação de dois homens (um homem e uma mulher), que ontem um amigo importante voltou à minha vida. Não que dela tenha saído, mas optou-se por um distanciamento que já durava quase um ano. Foi necessário, por conta das distorções que a proximidade acaba sempre causando e por conta dos deslizes.
Necessário, também, engolir o orgulho e reconhecer, passado tanto tempo, a saudade e os erros – que foram de ambas as partes, embora em diferentes tons.

Refleti bastante sobre o que já passamos, revisitei certas coisas e percebi que me faziam falta. Mas ontem, depois do reencontro, me pus a pensar sobre até que ponto as mágoas podem ser esquecidas, os deslizes totalmente perdoados a ponto de cada um estar disposto a, de peito aberto, reconstruir algo que tem como base a ternura e a amizade – essas duas, inquestionáveis.
Porque muita gente diz que é preciso esquecer, colocar uma pedra em cima de tudo, para poder seguir. Se não se esquece, o que vem na sequencia acaba sendo permeado por acusações, ressentimentos, falta de confiança e coisas do gênero.
Mas até que ponto dá pra esquecer?
Porque aquilo que, em teoria, deve ser esquecido, foi o estopim para a mudança brusca da tônica da relação. Em sendo estopim, a relevância do fato, acontecimento, atitude ou seja lá o que for é de extrema importância até mesmo, penso eu, para a redefinição das bases. Não se pode seguir e repetir o mesmo erro. É burrice.
Mas as pessoas são as mesmas. Embora tenham mudado um pouco, amadurecido, vá lá, mas as mesmas. Mesmas manias, mesmas idiossincrasias, mesmos valores. O que torna as coisas um pouco complicadas porque, diante de situações parecidas às que provocaram o rompimento, tenderão a comportar-se e reagir de forma semelhante.
O que se pode fazer, então?
É nisso que estou a pensar. Porque preciso. Porque quero. Porque não vejo outra forma de crescer e fazer as coisas darem certo.

- talvez a primeira e principal necessidade (ao menos a minha) seja uma conversa em que tudo seja colocado às claras:
. admito que fiz isso, e disse aquilo outro; admito que não foi legal; admito que fui infantil. Peço-lhe desculpas; pretendo passar a me observar e controlar mais para que isso não se repita.
. e você, o que tem a me dizer a respeito do que acha que fiz e que não gostou?
. espero que entenda que me irritou profundamente que tenha criticado isso e aquilo outro, e que a palavra ogra ainda tem eco dentro de mim e que, infelizmente, não a esqueci e acho difícil que esqueça. Também gostaria que refletisse sobre as ofensas ao telefone e sobre o ciúme excessivo – coisa que, espero, seja controlada a partir de agora.
. e você, o que tem a me dizer a respeito do que fez e de como pretende agir a partir de agora?

Feito isso, a idéia é que ambos se proponham a, realmente, seguir adiante.

Eu não pretendo esquecer. Até porque, minha memória afetiva não deixa. Ela floreia bastante os fatos, é verdade, mas não me deixa apagá-los. Nem acho que isso seja ruim. Porque me ajuda no exercício diário. No exercício em que tento me situar aqui e ali, saber quem sou e quem são os outros. Verificar até que ponto posso ir, estabelecer limites dos pontos aos quais os outros podem chegar.
Alegro-me com os acontecimentos recentes e acredito que seja possível uma nova ‘temporada’, como diria o Dani.
Pensando agora em todos os meus amigos, os amigos de verdade, com todos eles houve algum tipo de estremecimento que serviu para que crescêssemos e víssemos o quanto éramos importantes, um para o outro. Agora, por certo, não será diferente.
Ainda assim, neste caso específico, não há grandes expectativas, apenas um desejo de aproximação.

Sei que o texto ta uma merda. Mas como já disse, isso aqui me serve como exercício. É aqui que coloco minhas confusões para que elas se transformem em algo menos difícil de lidar.

Domingo, 22 de Março de 2009

das coisas encontradas num cd antigo.

PARA MARIA DA GRAÇA

Agora, que chegaste à idade avançada de 15 anos, Maria da Graça, eu te dou este livro: Alice no País das Maravilhas.Este livro é doido, Maria. Isto é: o sentido dele está em ti.Escuta: se não descobrires um sentido na loucura acabarás louca. Aprende, pois, logo de saída para a grande vida, a ler este livro como um simples manual do sentido evidente de todas as coisas, inclusive as loucas. Aprende isso a teu modo, pois te dou apenas umas poucas chaves entre milhares que abrem as portas da realidade.A realidade, Maria, é louca.Nem o Papa, ninguém no mundo, pode responder sem pestanejar à pergunta que Alice faz à gatinha: "Fala a verdade, Dinah, já comeste um morcego?"Não te espantes quando o mundo amanhecer irreconhecível. Para melhor ou pior, isso acontece muitas vezes por ano. "Quem sou eu no mundo?" Essa indagação perplexa é o lugar-comum de cada história de gente. Quantas vezes mais decifrares essa charada, tão entranhada em ti mesma como os teus ossos, mais forte ficarás. Não importa qual seja a resposta; o importante é dar ou inventar uma resposta. Ainda que seja mentira.A sozinhez (esquece essa palavra que inventei agora sem querer) é inevitável. Foi o que Alice falou no fundo do poço: "Estou tão cansada de estar aqui sozinha!" O importante é que ela conseguiu sair de lá, abrindo a porta. A porta do poço! Só as criaturas humanas (nem mesmo os grandes macacos e os cães amestrados) conseguem abrir uma porta bem fechada, e vice-versa, isto é, fechar uma porta bem aberta.Somos todos tão bobos, Maria. Praticamos uma ação trivial e temos a presunção petulante de esperar dela grandes conseqüências. Quando Alice comeu o bolo, e não cresceu de tamanho, ficou no maior dos espantos. Apesar de ser isso o que acontece, geralmente, às pessoas que comem bolo.Maria, há uma sabedoria social ou de bolso; nem toda sabedoria tem de ser grave.A gente vive errando em relação ao próximo e o jeito é pedir desculpas sete vezes por dia: "Oh, I beg your pardon!" Pois viver é falar de corda em casa de enforcado. Por isso te digo, para a tua sabedoria de bolso: se gostas de gato, experimenta o ponto de vista do rato. Foi o que o rato perguntou à Alice: "Gostaria de gatos se fosse eu?"Os homens vivem apostando corrida, Maria. Nos escritórios, nos negócios, na política, nacional e internacional, nos clubes, nos bares, nas artes, na literatura, até amigos, até irmãos, até marido e mulher, até namorados, todos vivem apostando corrida. São competições tão confusas, tão cheias de truques, tão desnecessárias, tão fingindo que não é, ridículas muitas vezes, por caminhos tão escondidos, que, quando os atletas chegam exaustos a um ponto, costumam perguntar: "A corrida terminou! Mas quem ganhou?" É bobice, Maria da Graça, disputar uma corrida se a gente não irá saber quem venceu. Se tiveres de ir a algum lugar, não te preocupe a vaidade fatigante de ser a primeira a chegar. Se chegares sempre aonde quiseres, ganhaste.Disse o ratinho: "Minha história é longa e triste!" Ouvirás isso milhares de vezes. Como ouvirás a terrível variante: "Minha vida daria um romance". Ora, como todas as vidas vividas até o fim são longas e tristes, e como todas as vidas dariam romances, pois o romance é só o jeito de contar uma vida, foge, polida mas energicamente, dos homens e das mulheres que suspiram e dizem: "Minha vida daria um romance!" Sobretudo dos homens. Uns chatos irremediáveis, Maria.Os milagres sempre acontecem na vida de cada um e na vida de todos. Mas, ao contrário do que se pensa, os melhores e mais fundos milagres não acontecem de repente, mas devagar, muito devagar. Quero dizer o seguinte: a palavra depressão cairá de moda mais cedo ou mais tarde. Como talvez seja mais tarde, prepara-te para a visita do monstro, e não te desesperes ao triste pensamento de Alice "Devo estar diminuindo de novo". Em algum lugar há cogumelos que nos fazem crescer novamente.E escuta esta parábola perfeita: Alice tinha diminuído tanto de tamanho que tomou um camundongo por um hipopótamo. Isso acontece muito, Mariazinha. Mas não sejamos ingênuos, pois o contrário também acontece. E é um outro escritor inglês que nos fala mais ou menos assim: o camundongo que expulsamos ontem passou a ser hoje um terrível rinoceronte. É isso mesmo. A alma de gente é uma máquina complicada que produz durante a vida uma quantidade imensa de camundongos que parecem hipopótamos e de rinocerontes que parecem camundongos. O jeito é rir no caso da primeira confusão e ficar bem disposto para enfrentar o rinoceronte que entrou em nosso domínio disfarçado de camundongo. E como tomar o pequeno por grande e o grande por pequeno é sempre meio cômico, nunca devemos perder o bom humor.Toda pessoa deve ter três caixas para guardar humor: uma caixa grande para o humor mais ou menos barato que a gente gasta na rua com os outros; uma caixa média para o humor que a gente precisa ter quando está sozinho, para perdoares a ti mesma, para rires de ti mesma; por fim, uma caixinha preciosa, muito escondida, para as grandes ocasiões. Chamamos de grandes ocasiões os momentos perigosos em que estamos cheios de dor ou de vaidade, em que sofremos a tentação de achar que fracassamos ou triunfamos, em que nos sentimos umas drogas ou muito bacanas. Cuidado, Maria, com as grandes ocasiões.Por fim, mais uma palavra de bolso: às vezes uma pessoa se abandona de tal forma ao sofrimento, com uma tal complacência, que tem medo de não poder sair de lá. A dor também tem o seu feitiço, e este se vira contra o enfeitiçado. Por isso Alice, depois de ter chorado um lago, pensava: "Agora serei castigada, afogando-me em minhas próprias lágrimas".Conclusão: a própria dor deve ter a sua medida: é feio, é imodesto, é vão, é perigoso ultrapassar a fronteira de nossa dor, Maria da Graça.

*PARA MARIA DA GRAÇA.(Paulo Mendes Campos, Para Maria da Graça, in Para gostar de ler; São Paulo, Ática, 1979.)

Quinta-feira, 19 de Março de 2009

melhor? impossível.

melhor é impossível: AMO este filme.
e não me lembro das palavras exatas mas lembro do que melvin fala, quando ela pede a ele que diga algo bom:
- eu odeio remédios. odeio. mas o doutor me disse que preciso deles para viver. então, desde que lhe conheci, apesar de odiar os remédios, eu procurei o médico e voltei a tomá-los.
e então ela pergunta: mas onde é que está o algo bom nisso tudo?
e ele responde, com certa dificuldade: você me faz querer ser uma pessoa melhor.
é isso. parece tão simples, mas não é.

carência é uma bosta.
falando com a amiguinha, comentávemos que sexo, depois de uma determinada idade e prática, é vital. é como ir ao banheiro e fazer cocô. se você passa muito tempo sem sexo, seu corpo lhe dá sinais claros de que há algo errado, algo faltando. é como se ele funcionasse mas estivesse com a mangueirinha do radiador furada, prestes a pifar de vez.
a mangueirinha do meu radiador tá furada faz um tempo.
estou carente - de contato físico, claro, mas, acima de tudo, de ter alguém com quem compartilhar. há quanto tempo foi? eu me lembro. aliás, lembro exatamente de como foi quando comecei a vislumbrar que a vida podia ser melhor porque eu tinha alguém com quem poderia construir algo, alguém com quem compartilhar a vida, alguém que caminhasse comigo de mãos dadas e, a noite, me desse umas horinhas de prazer.
o ruim de ser uma pessoa sozinha, solitária e sem vida afetiva/sexual movimentada é que cada um que passa deixa marcas profundas. daí, quando bate essa necessidade, quando a carência chega chutando a porta e botando tudo abaixo, as recordações ficam nítidas e a alma se ressente.
putaqueopariu.

abri a porta. não foi preciso chutar. to indo. então vem. veio. e foi. e quanta diferença faz. porque a presença torna a ausência ainda mais forte. não há muito o que fazer. já cansei de me fazer perguntas. já cansei de procurar explicações, justificativas, respostas e esclarecimentos. eles simplesmente não me chegam, por mais que eu quebre a cabeça. não acredito que se trate de merecimento. todo mundo merece. eu, inclusive. também não acho que seja porque sou chata demais. não que não seja, eu sou mesmo uma mala sem alça. mas acho que sou suportável. sou amorosa (quando sinto que posso ser), sou minimamente inteligente, interesso-me por algumas coisas que me dão condições de conversar sem gaguejar ou me envergonhar - nem sempre, é claro - de meu vazio. não sou lá muito sociável, é verdade. mas ouço tantas histórias de gente que conhece fulano andando de bicicleta que, poxa vida, não é justo que eu tenha de mudar meus hábitos e me tornar uma louca baladeira só porque desejo me apaixonar.
pro inferno com tudo isso.
esse papo me cansa. exaure. entristece. de leve, é verdade, porque a vida não fica esperando a minha tristeza passar para continuar. e porque, devo admitir, na maior parte do tempo eu penso que este tipo de coisa, de relação, de emoção, de vivência não é pra mim.

apesar de ter batido tudo à mão (não tenho batedeira) o bolo ficou uma delícia. meia noite e meia e estava eu lá, comendo bolo de chocolate quentinho e sentindo, feliz e calma, o cheirinho de bolo assado, espalhado pelo apartamento.
adoro cheiros. cheiros me fazem lembrar de coisas, fatos, pessoas, sensações. e cheiro de bolo assando não me lembra nada em especial mas me faz sentir como que se estivesse sendo acarinhada. porque fazer bolo, pra mim, é, entre outras coisas, uma forma de demonstrar carinho, afeto. faz-se bolo de aniversário para celebrar as primaveras de alguém; faz-se bolo de fubá ou chocolate ou cenoura para tomar com café ou chá, à tarde, quando as visitas estão em casa; faz-se bolo de manhã, para o café, quando há alguém especial para acompanhar. no meu caso, fez-se um bolo de chocolate, às 11 horas da noite, porque o livro do menino do pijama listrado mencionava um pedaço de bolo de chocolate que poderia ter sido levado ao amigo prisioneiro. e porque fiquei entristecida com a história, pensando no tanto de coisa horrenda que somos capazes de fazer aos nossos proximos, aos nossos semelhantes, muitas vezes alegando que estes próximos podem ser tudo, menos semelhantes. daí, apesar de não ter visita, de não ser café da manhã, nem aniversário, nem ter ninguém por aqui a quem eu quisesse acarinhar com um pedaço quentinho de bolo, tinha eu. e eu ando precisando de carinho, mesmo que seja o meu.

Quarta-feira, 18 de Março de 2009

dei uma pausa n'O Silmarillion e comecei, finalmente, a ler 'o menino do pijama listrado'. meio livro lido e até então, nada de surgir o menino do pijama listrado. só, mesmo, a historinha leve de Bruno, o alemãozinho mimado que foi obrigado a se mudar para um lugar de que não gostava. então o menino do pijama listrado apareceu e sou obrigada a reconhecer a capacidade que a narrativa teve de me envolver. a tal ponto, que me peguei chorando por 3 vezes, no decorrer dos acontecimentos. fechei o livro e vim goglear pra saber sobre Eva Braun - me lembro de ter lido algo sobre ela, mas esqueci o que foi. fiquei triste. tão triste que fechei o livro e coloquei donnie darko pra rodar no dvd - não menos triste, diga-se de passagem, mas outro tipo de tristeza.

vontade de comer bolo de chocolate e curiosamente, hoje tenho todos os ingredientes. pensando em fazer. procurando uma receita.

engraçado como a ida à praia realmente foi importante para que eu mudasse um pouco minha percepção de mim mesma. noto que estou novamente inchada. porque estou a ingerir menos liquidos do que quando estava la, diante do mar; porque transpiro menos; porque caminho menos. mas, mesmo inchada, ainda não voltei a odiar minha figura refletida no espelho. ao contrário. pode parecer bobo pra quem nunca teve este tipo de problema, mas pra mim, que passei 99% de meus 28 anos detestando meu corpo e vendo uma imagem totalmente distorcida diante do espelho é algo extremamente considerável.

voltei hoje à academia e foi penoso. fui a pé. retornei a pé. na maior tranquilidade. mas lá o bicho pegou. perdi o ritmo, perdi a força. sofri. foi engraçado. e na volta, as vitrines. eu gosto de olhar vitrines. mas acho um verdadeiro disparate essa coisa de moda. não entendo a lógica que a indústria da moda utiliza. só consigo perceber uma boçalidade sem fim. estamos no meio de um calor quase infernal. o sol arde, o suor escorre. e quando se olha para vitrines das lojas caras e de roupas de marca, o que é que vemos? calças, casacos, botas. ahn? peraí, eu to na europa e não me avisaram? alou, minha gente. não que eu prefira o calor. mas é ridículo que se imponha essa moda, que se imponha a necessidade de comprar essas peças ainda que, por enquanto, elas não sejam necessárias.

Terça-feira, 17 de Março de 2009

cotidiano

minha geladeira está vazia. minhas roupas já foram lavadas. chamei o tiozinho handman e ele já colocou as duas luminárias que trouxe da praia e os 3 'quadros' na parede de minha sala. a tevê está ligada na globo e eu vejo video show enquanto espero o rapaz da loja. é, o rapaz da loja. porque tomei vergonha na cara e comprei uma estante para colocar os livros. há mais de um ano me mudei e eles continuam no chão. nao é justo com eles tamanho desleixo. entao decidi deixar um pouco de lado meu desejo de mandar fazer um movel específico e comprei uma estante baratinha mas funcional, para acomodá-los e organizar melhor o quarto. a estante já está aqui mas ela veio sem pé. bom, ela tem pé, mas faltou aquela proteçãozinha que não deixa riscar o chão. assim, tenho de aguardar a boa vontade de moço que retornará para me trazer o pé da estante. enquanto isso, não posso terminar a arrumação do quarto.
isso me irrita. há tanta coisa a fazer e estou aqui, empacada por causa dos pés de uma estante.

Das coisas que descobri por conta da Rio-Santos.

Carro 1.0 é uma bosta.

Sou controladora, egoísta e difícil de agüentar – por mais que reclame de meus pais, por mais que diga que minha mãe é controladora, eu sou pior. Porque, além de ter vestígios dela em mim, ainda tenho meu próprio modo de controlar e querer mandar em tudo. Magôo as pessoas sendo assim e só me dou conta depois. Há que se encontrar um meio de melhorar. E não apenas porque eu magoe pessoas que me são caras. Também porque não gostei de ver os reflexos tão imediatos de minhas atitudes.

Amo meus pais - mas não posso negar que, assim como há coisas em mim que são desprezíveis, certas características dos dois, já tão conhecidas por mim, exigem esforço para serem toleradas e relevadas. Estar com eles durante 10 dias, dia e noite, noite e dia, foi ótimo mas só assim foi porque sabíamos que ia acabar. Que bom que podemos escolher.

Eu sou melhor motorista do que imaginava - apesar de ainda cometer minhas barbeiragens. Dirigir na estrada nunca foi problema pra mim, mas nunca havia seguido tão longe e a única serra pela qual havia passado foi a de Botucatu. rs. Pegar a Rio-Santos, então, foi A emoção. Posso dizer que gosto mais de curvas e me sinto mais ‘corajosa’ agora.

Meu corpo não é, nem de longe, tão feio quanto costumo ver no espelho - definitivamente, os problemas estão em minha visão. O bom de estar num lugar onde não há como não mostrar o corpo é que tudo acaba se tornando natural – desde a gostosa sem celulite que em outra situação você desejaria matar (por sinal, não vi nenhuma) até a gorda mais balofa e esburacada, de quem você normalmente tem pena. Pena e desejo de morte não combinam com praia. Não dá pra ter maus sentimentos diante do mar. Então que, nas primeiras fotos que minha mãe tirou de mim, sem que eu visse, eu me surpreendi: ahn? Que isso? Essa sou eu? Este é meu corpo? Como assim, se até outro dia eu estava a olhar no espelho e ver um monte de pelanca?

Saber nadar é quase fundamental para quem costuma ir a praia e gosta de entrar no mar - Eu não sei nadar, logo, na primeira vez que decidi me molhar tomei um capote e ralei a bunda. Porque não tenho a ‘malícia’ de pular ondinhas ou me deixar levar. Alem disso, fizemos um passeio de escuna em Paraty – passamos por praias lindas cuja profundidade de onde ‘atracamos’ ficava em torno de 3 metros. Pergunta se eu mergulhei? ÓOOOOOOOBVIO que não. Fiquei lá, enjoando com o balanço do mar e rezando pra coisa toda acabar logo.

Eu superestimo minha capacidade de superação - em alguns casos. Para certas coisas, sou fraca. Muito fraca. E isso me deixou um tanto decepcionada. Realmente gostaria de ter me libertado, de pouco me importar. Gostaria de não sentir falta nunca mais nessa vida e jamais voltar a pensar no ‘e se...’, mas quando dei de cara com um sósia argentino, meu peito se retorceu todo. E o filho da puta do argentino tinha tudo: jeito de andar, cor, pernas, jeito de segurar o cigarro, queixo... tudo muito semelhante. A diferença é que ele tinha uma namorada e com ela pareceu ser extremamente carinhoso e cuidadoso. Enfim, uma merda.

Por mais que eu queira me bronzear, isso não vai acontecer - Não adianta insistir nem tentar, não dá. Voltei há dois dias e estou aqui, toda piniquenta, cheia de coceiras por todo o corpo, começando a ‘descamar’. Nojo. A única coisa boa, do sol, é que as sardas ficam mais marcadas. E eu adoro minhas sardas.

Depois que decidi morar sozinha me tornei uma tremenda mão de vaca - Hoje em dia, acho tudo muito caro. Especialmente se não for algo que possa comprar para minha casa. Por um lado, é bom, porque economizo e não faço extravagâncias. Por outro, péssimo, porque extravagâncias, de vez em quando, são bem vindas.

Eu preciso de um namorado. E de sexo. E de amor. E de um carro. – bem, disso eu já sabia antes de descer a serra.